Embora muitas vezes passe despercebida nos estudos, a epiglote é essencial para a proteção das vias respiratórias durante a deglutição. Ela atua como uma “porta de segurança”, evitando que alimentos e líquidos sigam para a traqueia.
Neste resumo, você vai entender a anatomia, função e principais patologias relacionadas à epiglote. No final, resolvemos juntos uma questão de prova!
🧠 O que é a Epiglote?
A epiglote é uma estrutura cartilaginosa localizada na entrada da laringe, acima da glote. Sua principal função é impedir que alimentos e líquidos entrem nas vias aéreas durante a deglutição, direcionando-os ao esôfago.

🔬 Anatomia da Epiglote
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Localização: Fica na parte superior da laringe, atrás da base da língua.
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Estrutura: Possui formato de folha e é composta por cartilagem elástica, o que garante mobilidade.
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Movimento: Durante a deglutição, a epiglote se inclina para baixo e fecha a entrada da laringe.
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Relação com a respiração: Quando não estamos deglutindo, ela permanece aberta, permitindo a passagem de ar para os pulmões.

✅ Função da Epiglote
A epiglote atua como um mecanismo de proteção durante o processo de deglutição. Esse processo ocorre em três fases:
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Estágio voluntário: início da deglutição, com passagem do alimento da boca para a faringe.
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Estágio faríngeo (involuntário): a laringe é tracionada para cima, e a epiglote se fecha sobre ela.
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Estágio esofágico (involuntário): o alimento segue pelo esôfago até o estômago.
Ao bloquear temporariamente a laringe, a epiglote evita que partículas alimentares alcancem a traqueia e os pulmões. Se isso ocorre, o reflexo da tosse é ativado para proteger as vias aéreas.
⚠️ Epiglotite: O que é?
Epiglotite é a inflamação da epiglote e das estruturas supraglóticas adjacentes. É uma emergência médica devido ao risco de obstrução das vias aéreas.
Causas mais comuns:
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Bacteriana (mais frequente):
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Haemophilus influenzae tipo B (Hib) – principal agente.
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Streptococcus pneumoniae, Streptococcus pyogenes e outros.
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Não infecciosa:
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Traumas, queimaduras, reações alérgicas, inalação de substâncias tóxicas.
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Quadro clínico:
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Em adultos: dor de garganta intensa, dificuldade para engolir (disfagia), salivação excessiva (sialorreia), dor no pescoço.
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Em crianças: febre, estridor, dificuldade respiratória, sialorreia, ansiedade e a clássica posição de cheirar (inclinação do tronco para frente e cabeça projetada).
Diagnóstico:
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Avaliação clínica, radiografia cervical lateral ou laringoscopia (com cuidado, em ambiente controlado).
Tratamento:
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Garantia da via aérea (intubação ou traqueostomia).
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Uso de antibióticos direcionados ao agente infeccioso.
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Casos graves podem evoluir rapidamente para insuficiência respiratória, se não tratados a tempo.
📝 Cai na Prova
(UEPA – SANTARÉM)
A epiglotite aguda é uma infecção supraglótica grave. Qual é o agente etiológico mais comum?
A) Moraxella
B) Vírus parainfluenza
C) Pneumococo
D) Haemophilus influenzae tipo B
E) Staphylococcus
Gabarito: D
Comentário: O Haemophilus influenzae tipo B é o principal causador da epiglotite, especialmente em crianças não vacinadas. A introdução da vacina reduziu significativamente a incidência da doença.
📚 Referências Bibliográficas
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Woods, C.R. Epiglottitis (supraglottitis): Clinical features and diagnosis. UpToDate, 2022.
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GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 13ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
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MARIEB, E.N.; WILHELM, P.B.; MALLATT, J. Anatomia Humana. 7ª ed. São Paulo: Pearson Education, 2014.
