Vamos revisar mais um tema essencial da fisiologia? Hoje é a vez do glucagon, um hormônio fundamental na regulação da glicose e no equilíbrio energético do corpo humano.
Preparamos um conteúdo direto ao ponto para reforçar sua formação e te deixar mais afiado(a) nas provas e na prática clínica. Vamos nessa?
🔍 Visão Geral
O glucagon é um polipeptídeo produzido pelas células alfa das ilhotas de Langerhans, no pâncreas. Ele entra em ação sempre que os níveis de glicose no sangue caem, sendo um antagonista fisiológico da insulina.
⚙️ Principais Funções do Glucagon
O glucagon atua principalmente para aumentar os níveis de glicose sanguínea e fornecer energia em situações de jejum, estresse ou esforço físico. Veja as principais ações:
🔄 Glicogenólise: quebra do glicogênio hepático
O glucagon estimula a glicogenólise no fígado, quebrando o glicogênio em moléculas de glicose. Esse processo envolve uma cascata bioquímica com forte efeito amplificador:
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Ativação da adenilil ciclase (célula hepática)
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Aumento do AMP cíclico (cAMP)
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Ativação de proteínas quinases
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Conversão de fosforilase B em A
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Degradação do glicogênio → glicose-1-fosfato
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Liberação de glicose na corrente sanguínea
🔬 Importante: esse mecanismo amplifica o efeito do hormônio, permitindo que pequenas quantidades de glucagon elevem rapidamente a glicemia. Uma infusão contínua de glucagon por 4 horas pode esgotar todo o glicogênio hepático!
🔁 Gliconeogênese: produção de glicose a partir de outros substratos
O glucagon também ativa a gliconeogênese, ou seja, a síntese de glicose a partir de aminoácidos, lactato e glicerol:
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Estimula a captação hepática de aminoácidos;
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Ativa enzimas-chave da via gliconeogênica;
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Promove a fosforilação enzimática, aumentando a produção de glicose.
Esse processo é essencial durante períodos de jejum prolongado ou estresse fisiológico, garantindo a oferta de glicose ao cérebro e a outros tecidos dependentes.
🔥 Lipólise e metabolismo energético
Em concentrações elevadas, o glucagon:
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Ativa a lipase nas células adiposas → liberação de ácidos graxos livres;
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Aumenta a contratilidade cardíaca;
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Melhora o fluxo sanguíneo, especialmente para rins e músculos;
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Estimula a secreção de bile;
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Inibe a produção de ácido gástrico.
⚠️ Esses efeitos ocorrem principalmente em situações de estresse metabólico, como jejum prolongado ou exercício intenso.
🧠 Regulação da Secreção de Glucagon
A principal variável que regula a liberação de glucagon é a glicemia:
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Hipoglicemia → estimula a secreção de glucagon (ação rápida das células alfa);
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Hiperglicemia → inibe a secreção de glucagon.
Outros fatores que estimulam a secreção:
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Aminoácidos, como alanina e arginina (especialmente após refeições proteicas);
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Epinefrina (adrenalina), que aumenta em situações de estresse, exercício intenso ou choque.
🧠 Importante: a epinefrina também estimula a lipólise e glicogenólise, agindo em sinergia com o glucagon.
⚖️ Relação entre Glucagon e Insulina
O glucagon e a insulina têm funções opostas, mas trabalham em conjunto para manter a glicemia dentro dos valores normais (homeostase glicêmica):
Situação | Hormônio predominante | Efeito principal |
---|---|---|
Pós-prandial | Insulina | Armazena glicose nos tecidos (glicogênio e lipídeos) |
Jejum / Exercício | Glucagon | Libera glicose e ácidos graxos para energia |
🔁 Apesar de serem antagonistas na maioria das situações, em casos específicos (como exercício intenso), os dois hormônios podem ser liberados simultaneamente:
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O glucagon eleva a glicose no sangue;
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A insulina facilita sua captação e utilização pelos tecidos.
📘 Questão de Prova
UNIRIO – HUGG (2019)
A ciência demonstrou que os seres humanos liberam hormônios em diversas categorias químicas. Assim, sabemos que as citocinas, o glucagon e a insulina são:
a) Carboidratos
b) Aminoácidos
c) Ácidos graxos
d) Polipeptídeos ✅
e) Gorduras saturadas
💡 Comentário:
Hormônios como glucagon, insulina e ACTH são polipeptídeos, enquanto esteroides derivam do colesterol e outros são derivados de aminoácidos (ex: adrenalina).
📚 Referências
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GUYTON, A.C. & HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 13ª ed. Elsevier, 2017.
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MENAKER, L. Fisiologia Endócrina e Metabólica.