Cordão Umbilical: Do Desenvolvimento Embrionário ao Pós-parto

Desta vez, o foco é o cordão umbilical, uma estrutura vital durante a vida intrauterina.

Seguimos ao seu lado, oferecendo conteúdos que fortalecem sua formação médica com informações relevantes para a prática e para as provas. Vamos em frente?


Desenvolvimento embrionário do cordão umbilical

O cordão umbilical começa a se formar por volta da quinta semana de gestação, a partir da interação entre diferentes estruturas embrionárias.

  • O saco amniótico dá origem ao revestimento externo.

  • O alantoide forma as veias e artérias umbilicais.

  • A vesícula vitelínica também participa da formação.

Em média, o cordão mede 50 cm de comprimento e 2 cm de diâmetro, com variações que dependem do local onde é seccionado no parto. Ao atingir a placenta, seu calibre diminui significativamente.


Aspectos anatômicos e morfológicos

O cordão umbilical é uma estrutura flexível e exclusiva dos mamíferos, conectando o abdome fetal à placenta.

É composto por:

  • Duas artérias e uma veia umbilical

  • Geleia de Wharton, uma substância gelatinosa que protege os vasos

  • Uma membrana que o envolve e se estende até a pele abdominal do feto

A quantidade de geleia de Wharton varia, influenciando a aparência e a consistência do cordão:

  • Cordões mais volumosos são macios e com aparência mais espessa

  • Cordões finos tendem a ser mais firmes

Tradicionalmente, eram chamados de “gordos” ou “magros”, de acordo com suas características físicas.


Circulação Fetal

O cordão umbilical é o elo vital entre feto e placenta, responsável pelo transporte sanguíneo durante toda a gestação.

Na vida intrauterina:

  • Os pulmões e o fígado têm função limitada

  • A circulação fetal conta com adaptações específicas

Fluxo do sangue:

  1. O sangue oxigenado da placenta entra pela veia umbilical

  2. Passa pelo ducto venoso, desviando parcialmente do fígado

  3. Chega ao átrio direito e segue pelo forame oval ao átrio esquerdo

  4. É bombeado para a cabeça e membros superiores via ventrículo esquerdo

  5. O sangue desoxigenado da veia cava superior segue ao ventrículo direito

  6. A maior parte contorna os pulmões via ducto arterioso até a aorta descendente

  7. Retorna à placenta pelas artérias umbilicais, onde será reoxigenado

🔍 Cerca de 55% do volume sanguíneo fetal passa pela placenta. Apenas 12% flui para os pulmões nesse estágio.

Após o nascimento, há uma mudança completa na circulação, com a entrada em funcionamento dos pulmões como órgão principal de oxigenação.


Cordão umbilical após o nascimento

Nos 2 a 3 dias após o parto, o restante do cordão ligado ao bebê escurece e resseca, formando um coto umbilical, que se desprende espontaneamente entre o 8º dia e a quarta semana.

No local do desprendimento, surge uma pequena ferida que cicatriza naturalmente. Caso o coto permaneça por tempo excessivo, pode ser necessário acompanhamento médico para evitar infecções.

🔎 Em adultos, a antiga veia umbilical dá origem ao ligamento redondo do fígado, visível do umbigo até o fígado.


Questão de prova

UEL – Hospital Universitário – 2024

Pergunta:
Qual das estruturas abaixo contém maior concentração de oxigênio na circulação fetal?

A) Arco aórtico
B) Artéria umbilical
C) Veia cava inferior
D) Veia cava superior
E) Veia pulmonar

Gabarito: C) Veia cava inferior

Comentário:

  • A) Recebe sangue misto, com menor oxigenação.

  • B) Leva sangue pouco oxigenado do feto à placenta.

  • C) Correta! Recebe sangue oxigenado da veia umbilical via ducto venoso.

  • D) Transporta sangue pouco oxigenado da cabeça e membros superiores.

  • E) Pouco funcional no feto, pois os pulmões ainda não realizam trocas gasosas.


Referências

  • MALHEIROS, G. C.; WILKEN DE ABREU, A. M. O. Características Morfológicas do Cordão Umbilical. Revista Científica da FMC, v. 11, n. 1, jul. 2016.

  • GUYTON, A.C. e HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 13ª ed. Elsevier, 2017.

  • MENAKER, L.

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