Histamina: funções, receptores e como ela afeta seu corpo

Você já teve ou conhece alguém que passou mal após comer algo aparentemente inofensivo? Coceira, inchaço, espirros ou até dificuldade para respirar são sintomas clássicos de uma reação alérgica, muitas vezes desencadeada pela liberação de histamina — uma molécula essencial, mas também temida por seu papel em processos alérgicos.

Aqui, você vai entender o que é a histamina, onde ela age, como se liga aos receptores H1, H2, H3 e H4, e sua participação em diferentes sistemas do corpo humano — do gastrointestinal ao imunológico.


💡 O que é a Histamina?

A histamina é uma amina biogênica sintetizada a partir do aminoácido histidina. É armazenada principalmente em mastócitos, basófilos e plaquetas, sendo liberada em resposta a lesões, inflamações ou alérgenos.

Essa molécula está envolvida em diversas funções fisiológicas, como:

  • Regulação do tônus vascular;

  • Produção de ácido gástrico;

  • Neurotransmissão;

  • E, principalmente, reações alérgicas e respostas inflamatórias.


🔑 Receptores da Histamina

A histamina atua por meio de quatro tipos de receptores, cada um com efeitos distintos:

  • H1:

    • Localização: vasos sanguíneos, músculo liso, sistema imunológico.

    • Função: responsável pelos sintomas alérgicos — prurido, edema, broncoconstrição.

  • H2:

    • Localização: estômago (células parietais), coração, sistema nervoso.

    • Função: estimula a produção de ácido gástrico e secreções mucosas, além de modular batimentos cardíacos.

  • H3:

    • Localização: sistema nervoso central.

    • Função: age como autoreceptor, regulando a liberação de histamina e outros neurotransmissores.

  • H4:

    • Localização: medula óssea, células hematopoiéticas.

    • Função: envolvido em doenças autoimunes e inflamatórias, como lúpus e artrite reumatoide.


❤️ Histamina e o Sistema Cardiovascular

No sistema circulatório, a histamina atua principalmente via receptores H1, provocando:

  • Vasodilatação → diminuição da resistência vascular periférica e queda da pressão arterial;

  • Aumento da permeabilidade capilar → facilita o extravasamento de líquido e células de defesa para o tecido inflamado.

Esses efeitos contribuem para a clássica resposta inflamatória com vermelhidão, calor e edema.


🍽️ Histamina e o Sistema Gastrointestinal

No trato digestivo, a histamina age principalmente nos receptores H2:

  • Estimula as células parietais do estômago a produzirem ácido clorídrico (HCl), essencial para digestão e ativação de enzimas.

  • Regula a motilidade intestinal, influenciando o trânsito dos alimentos pelo intestino.

 


🧠 Histamina e o Sistema Nervoso Central

No cérebro, a histamina atua como neurotransmissor, sendo sintetizada por neurônios histaminérgicos do hipotálamo.

  • A ativação dos receptores H1 está associada à vigília e atenção.

  • Já os receptores H3 funcionam como inibidores de liberação de histamina, modulando o equilíbrio entre alerta e sono.

  • Também influencia humor, cognição e comportamento via interação com serotonina e dopamina.


🌼 Histamina e o Processo Alérgico

Nas reações alérgicas, a exposição a alérgenos (poeira, pólen, alimentos, etc.) leva à degranulação dos mastócitos, liberando histamina nos tecidos.

Consequências:

  • Vasodilatação → aumento do fluxo sanguíneo no local afetado;

  • Permeabilidade capilar aumentada → facilita a chegada de leucócitos;

  • Contração da musculatura lisa → causa broncoespasmo e sintomas respiratórios.

🔬 Os anti-histamínicos H1 são amplamente usados para bloquear esses efeitos em casos de urticária, rinite, asma e anafilaxia leve.


🔥 Histamina no Processo Inflamatório

Durante inflamações, a histamina participa ativamente da resposta imune:

  • Vasodilatação e permeabilidade aumentada → favorecem a chegada de neutrófilos e macrófagos.

  • Quimiotaxia → atrai células do sistema imune para o local da lesão.

Essa ação é essencial no início da resposta inflamatória, preparando o ambiente para o combate a agentes patogênicos.


🧀 Histamina e Alimentos

A histamina também pode estar presente em alimentos, especialmente aqueles:

  • Fermentados (chucrute, molho de soja);

  • Envelhecidos (queijos curados, vinhos);

  • Conservados (peixes defumados ou enlatados);

  • Processados (embutidos).

Pessoas com intolerância à histamina ou distúrbios na sua degradação (ex: deficiência de DAO) podem apresentar:

  • Urticária, dor de cabeça, náusea, rubor facial;

  • Sintomas respiratórios ou gastrointestinais.

👉 Nesses casos, a redução do consumo de alimentos ricos em histamina pode aliviar os sintomas.


📚 Referências Bibliográficas

  • CEM AKIN. Mast cell disorders: An overview. UpToDate, 2023.

  • GUYTON, Arthur C.; HALL, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 13ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

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