Vamos explorar mais um tema essencial para a prática médica? Hoje, o foco é o endométrio, tecido ricamente vascularizado e glandular que reveste a face interna do útero e desempenha papel crucial no ciclo menstrual e na implantação embrionária.
Neste conteúdo, você entenderá a composição do endométrio, suas fases fisiológicas ao longo do ciclo e as principais patologias associadas. No final, revisamos com uma questão típica de prova para consolidar o aprendizado.
🧬 Composição do Endométrio
O endométrio é a camada mais interna do útero, altamente sensível à ação hormonal. Ele se divide em duas camadas histológicas:
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Camada funcional: sofre modificações cíclicas e é eliminada durante a menstruação, se não houver fecundação. Subdivide-se em:
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Stratum compactum (superficial)
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Stratum spongiosum (intermediária)
Durante a fase secretora, forma vacúolos contendo glicogênio, preparando-se para a nidação.
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Camada basal: permanece intacta após a menstruação e é responsável por regenerar a camada funcional. Estudos sugerem que células-tronco endometriais residem nessa camada, embora ainda não haja comprovação definitiva.
📆 Fases do Ciclo Menstrual e o Endométrio
O ciclo menstrual pode ser dividido em três fases distintas, com alterações endometriais características:
🔹 Fase Proliferativa (Estrogênica)
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Ocorre antes da ovulação.
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Estrogênios estimulam proliferação das células estromais e epiteliais, aumentando a espessura do endométrio.
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A superfície endometrial é reepitelizada em 4 a 7 dias após o início da menstruação.
🔹 Fase Secretora (Progestacional)
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Ocorre após a ovulação.
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A ação da progesterona leva ao aumento do volume celular, formação de vacúolos e secreção de nutrientes.
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O endométrio atinge 5 a 6 mm de espessura, tornando-se receptivo à implantação do embrião.
🔹 Menstruação
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Ocorre se não houver fecundação.
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Queda nos níveis de estrogênio e progesterona provoca a descamação da camada funcional.
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Dura de 3 a 7 dias, com reepitelização iniciando-se após o sangramento.
🧠 Principais Doenças Relacionadas ao Endométrio
Adenomiose
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Crescimento do tecido endometrial dentro do miométrio.
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Sintomas: sangramento intenso, dispareunia, cólicas.
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Diagnóstico clínico; tratamento varia de medicamentos a procedimentos cirúrgicos.
Endometriose
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Presença de tecido endometrial fora do útero (ex.: ovários, peritônio).
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Sintomas: dor pélvica crônica, dismenorreia, infertilidade.
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Diagnóstico pode exigir laparoscopia; tratamento inclui anticoncepcionais, AINEs ou cirurgia.
Endometrite
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Inflamação do endométrio, frequentemente por infecções (DSTs, procedimentos uterinos).
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Sintomas: dor pélvica, dispareunia, corrimento anormal.
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Necessita diagnóstico precoce e tratamento adequado para evitar complicações.
Pólipos Endometriais
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Crescimentos benignos na mucosa endometrial.
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Podem causar sangramento irregular ou infertilidade.
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Diagnóstico por USG ou histeroscopia; remoção pode ser indicada, especialmente após a menopausa.
📝 Cai na Prova
(HEETSHL – PB – 2020)
Assinale a alternativa correta:
A) Durante a fase folicular, a progesterona suprime o LH.
B) A progesterona torna o endométrio receptivo à nidação e reduz a temperatura basal.
C) Oligomenorreia é definida por ciclos com intervalo inferior a 21 dias.
D) A inibina é produzida pelas células da teca e inibe o GnRH.
E) Altos níveis de estrogênio inicialmente inibem os pulsos de LH e FSH.
✅ Gabarito: Alternativa E
Comentário:
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A) Incorreta: a progesterona atua principalmente na fase lútea.
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B) Incorreta: a progesterona aumenta a temperatura basal.
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C) Incorreta: oligomenorreia ocorre com ciclos >35 dias.
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D) Incorreta: a inibina B é produzida pelas células da granulosa e inibe o FSH.
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E) Correta: o estrogênio exerce feedback negativo no início e, em níveis elevados, promove pico de LH.
📚 Referências
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GUYTON, A.C. e HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 13ª ed. Elsevier, 2017.
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BEREK, J. Tratado de Ginecologia. 15ª ed. Guanabara Koogan, 2014.