Olá, futuro residente! Preparado para mais um tema essencial da Neuroanatomia? Hoje, vamos explorar os dermátomos, regiões cutâneas inervadas por nervos espinhais específicos — fundamentais para avaliações clínicas e diagnósticos neurológicos.
Trouxemos um resumo completo para te ajudar a dominar esse conteúdo, tanto para provas quanto para a prática médica. Vamos começar?
O que é um dermátomo?
Um dermátomo é uma faixa da pele inervada por fibras sensitivas de um único par de nervos espinhais (ou pelo nervo trigêmeo, no caso da face). Esses nervos transmitem estímulos táteis, térmicos e dolorosos da pele para a medula espinhal e para o cérebro.
Apesar de cada dermátomo ter uma área principal de atuação, há sobreposição entre dermátomos adjacentes. Por isso, lesões nervosas nem sempre provocam perda total de sensibilidade, mas sim redução ou alteração.
O mapeamento dermatomal é útil para identificar níveis medulares lesionados e pode orientar bloqueios anestésicos segmentares.
Formação embrionária dos dermátomos
A origem dos dermátomos está relacionada ao desenvolvimento do sistema nervoso. A partir da terceira semana gestacional, a placa neural dá origem à medula espinhal. Na quarta semana, a fusão das pregas neurais forma o tubo neural.
Neuroblastos migram para regiões específicas, diferenciando-se em neurônios motores e sensitivos. Por volta da sexta semana, os nervos espinhais se estendem até estruturas somíticas, que formarão a pele, os músculos (miótomos) e os ossos — estabelecendo, assim, os territórios dermatomais.
Organização dos dermátomos
Os nervos espinhais originam-se de raízes ventrais (motoras) e dorsais (sensitivas), emergindo pelos forames intervertebrais. Ao todo, temos 31 pares de nervos espinhais, organizados da seguinte forma:
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8 pares cervicais (C1–C8)
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12 pares torácicos (T1–T12)
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5 pares lombares (L1–L5)
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5 pares sacrais (S1–S5)
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1 par coccígeo (Co1)
A disposição dermatomal é horizontal no tronco e longitudinal nos membros. Importante: o nervo C8 emerge entre C7 e T1 — todos os demais saem abaixo de suas vértebras correspondentes.
Apesar da padronização, variações anatômicas são comuns devido à sobreposição entre territórios.
Pontos de teste dos dermátomos
Para exames clínicos neurológicos, utilizam-se pontos específicos da pele que representam a sensibilidade de cada raiz espinhal. Esses pontos de teste dermatomais ajudam a identificar:
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Lesões radiculares (ex: hérnias discais)
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Déficits sensoriais focais
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Áreas-alvo para bloqueios anestésicos
Dermátomo | Ponto de Teste (região da pele) | Referência Anatômica / Clínica |
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C2 | Parte posterior da cabeça | Região occipital |
C3 | Região lateral do pescoço | Acima da clavícula |
C4 | Região do ombro | Articulação acromioclavicular |
C5 | Parte lateral do braço, próximo ao deltóide | Fossa antecubital lateral |
C6 | Face dorsal do polegar | Região radial da mão |
C7 | Face dorsal do dedo médio | Região central da mão |
C8 | Face dorsal do dedo mínimo | Região ulnar da mão |
T1 | Parte medial do antebraço | Fossa antecubital medial |
T2 | Parte superior e medial do braço | Região da axila |
T4 | Linha dos mamilos | 4º espaço intercostal |
T10 | Linha do umbigo | Umbigo |
L1 | Parte superior da coxa | Região inguinal |
L2 | Parte medial da coxa | Terço médio anterior da coxa |
L3 | Parte medial do joelho | Côndilo femoral medial |
L4 | Face medial da perna até o maléolo medial | Região do tornozelo medial |
L5 | Dorso do pé até o hálux | Região do 1º metatarso |
S1 | Borda lateral do pé e calcanhar | Região lateral do tornozelo e planta do pé |
S2 | Parte posterior da coxa e centro da fossa poplítea | Região posterior da perna |
S3 | Região glútea medial | Próximo à tuberosidade isquiática |
S4–S5 | Área perianal e ao redor do ânus | Inervação sensorial da região anal e genitais externos |
Relevância clínica dos dermátomos
Os dermátomos são fundamentais para o diagnóstico diferencial de neuropatias, infecções virais e sintomas radiculares.
✔️ Ciática
A ciatalgia ocorre por compressão do nervo ciático (L4–S3). A dor irradia de forma dermatomal: da região lombar ou glútea até a face posterior da perna e planta do pé.
✔️ Herpes Zoster
Causado pela reativação do vírus varicela-zoster, o herpes-zóster provoca dor e erupção cutânea restrita ao dermátomo afetado. O vírus permanece latente nos gânglios da raiz dorsal, e sua reativação segue três fases:
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Prodômica: dor e parestesia no dermátomo
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Eruptiva: surgimento de vesículas
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Resolução: formação de crostas
A região torácica é a mais acometida, seguida pela facial.
👉 Herpes Zoster Oftálmico (HZO)
O HZO acomete o nervo trigêmeo (V1). Pode haver lesões na ponta do nariz (sinal de Hutchinson), indicando envolvimento ocular iminente — risco de perda visual.
Referências
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STATPEARLS. Anatomy, Skin, Dermatomes. Disponível em: ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535401. Acesso em 02 mai 2024.
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Kishner, S. Dermatomes Anatomy. Medscape. Out. 2023.
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Guyton e Hall. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª edição.